lacerado e soterrado
sob os restos do teu nome
só me cabe ser ninguém
sem corpo, sem fome
sem sangue
serei sempre a parte
enquanto tu segues incólume
serei a sobra
o lamento do amor lasso
almargeado
a vida que some.
enquanto tu segues perene, intacta
eu sigo encetado
ferido
tu segues viva
eu-morto
privado do afago
olvido
tu segues lasciva
e eu, combalido,
desabo,
devastado e perdido.
tu és o fulgor do amor
e da dor
o desejo e a beleza
a boca e o seio
mas eu sou o ressentimento
a nódoa no teu peito
a água-viva
o extremo.
eu serei o abismo nascituro sob teus pés
que se abrirá passo-pós-passo
em ato-irascível
e te engolirá
no não-tempo.
eu serei teu ávido-algoz-áspero
a águia que dilacera teu fígado
teu nunca-alívio
teu sempre-tormento.
almargeado
inutilmente rascunhado por
fofolete
on segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Marcadores:
Poemas


1 Comentários:
mano, muito bonito.
esse posso dizer que tocou-me profundamente.
bjos da amiga mais amiga do brasil
beijos
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