quarta-feira, 28 de outubro de 2009
rabiscando.
pois é, comecei a rabiscar uns troços toscos, mas acabei gostando da brincadeira. quem sabe eu tente até fazer algo decente, aprender mais, desenhar mais. o link taí do lado, em "rabiscos".
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
mas que porra de twitter de cururu.
e não é que eu criei uma porra dum twitter? tá ali do lado, nos links.
agora tenho orkut, blog, twitter. ó que maravilha. eu sou uma pessoa antenada, sou uma pessoa web 2.0. ó que bacana. sou uma pessoa do futuro.
twitter é meio "cheguei ao fundo do poço", né não?
prazer, este sou eu.
agora tenho orkut, blog, twitter. ó que maravilha. eu sou uma pessoa antenada, sou uma pessoa web 2.0. ó que bacana. sou uma pessoa do futuro.
twitter é meio "cheguei ao fundo do poço", né não?
prazer, este sou eu.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
finalmente.
primeiro show da banda. acho que lá se vão uns 5 anos desde a última vez que eu fiz um show. apesar de não ter ficado nervoso, a ansiedade até me fez tocar mais rápido, e até errar. mas apesar da autocrítica me aporrinhar - e com razão - mesmo assim, foi muito bom. estava até cheio, apesar de ser uma ingrata quarta-feira. o público presente, grande parte formado por amigos, mas que nunca tinham visto a gente tocando, parece ter gostado muito também. a sensação é ótima. só fica a vontade de tocar novamente o mais breve possível. e a vontade de gravar logo o cd. e viver de música.
caralho.
caralho.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
insônia.
nada pior que os passarinhos começarem a cantar e você ainda não ter dormido. bem-te-vi é a putaquetepariu.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
dá-lhe, groucho.
"É claro que acredito em vida inteligente fora da Terra, só não acredito em vida inteligente, aqui, na Terra"
Groucho Marx.
Groucho Marx.
terça-feira, 24 de março de 2009
it's all wrong, it's all right, it's all wrong.
alguns dias após o show do radiohead, ainda carrego certas impressões profundas.
a sensação de plenitude absoluta durante o show era, pra mim, misturada a um questionamento doloroso do que eu fiz e ando fazendo com a minha vida. por vários motivos. coisas que não posso explicar e nem quero contar por aqui.
me fez pensar se eu estou vivendo certo. e descobri que não.
I'm the next act
waiting in the wings
I'm an animal
Trapped in your hot car
I am all the days
that you choose to ignore
You are all I need
You are all I need
I'm in the middle of your picture
Lying in the reeds
I am a moth
who just wants to share your light
I'm just an insect
trying to get out of the night
I only stick with you
because there are no others
You are all I need
You are all I need
I'm in the middle of your picture
Lying in the reeds
It's all wrong
It's all right
It's all wrong.
a sensação de plenitude absoluta durante o show era, pra mim, misturada a um questionamento doloroso do que eu fiz e ando fazendo com a minha vida. por vários motivos. coisas que não posso explicar e nem quero contar por aqui.
me fez pensar se eu estou vivendo certo. e descobri que não.
I'm the next act
waiting in the wings
I'm an animal
Trapped in your hot car
I am all the days
that you choose to ignore
You are all I need
You are all I need
I'm in the middle of your picture
Lying in the reeds
I am a moth
who just wants to share your light
I'm just an insect
trying to get out of the night
I only stick with you
because there are no others
You are all I need
You are all I need
I'm in the middle of your picture
Lying in the reeds
It's all wrong
It's all right
It's all wrong.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
disk amizade.
-oi.
-oi, tudo bem.
-tudo.
-o que você deseja?
-eu desejo fazer um amigo, aí não é o disk amizade?
-é, sim senhor.
-você vai ser minha amiga?
-não posso, senhor. atendi o telefone sem querer, estava só passando.
-você pode me chamar de amigo?
-senhor, desculpe, me sinto desconfortável com a situação.
-mas aí é o disk amizade, não é?
-é, sim senhor.
-então.
-mas eu estava só passando, estava indo buscar meu lanche.
-o que você vai comer?
-não sei, parei aqui pra atender o telefone.
-e você estava vindo de onde pra buscar o lanche?
-eu vinha do disk sexo, senhor.
-disk sexo?
-sim, senhor.
-quer dizer que você pode fazer sexo mas não pode ser minha amiga?
-isso, senhor.
-então podemos fazer sexo?
-infelizmente não, senhor.
-mas como não?
-é que o senhor ligou para o disk amizade.
-mas você é do disk sexo.
-mas eu só atendi porque não havia ninguém aqui.
-não haviam amigos, né?
-não, senhor.
-pra onde foram os amigos?
-devem ter ido buscar um lanche.
-e aí você atendeu, né? mas que tipo de putaria é essa, caralho?
-me desculpe, senhor, como assim?
-vocês ficam atendendo o telefone do outro, porra?
-desculpe, senhor, é o hábito.
-hábito de cu é rola, filha da puta, eu não liguei para o disk casa da mãe joana, eu só quero um amigo.
-eu não tenho treinamento para ser uma amiga, senhor.
-mas que cacete de disk amigo você trabalha!
-eu sou do disk sexo, senhor.
-então quero fazer sexo.
-senhor, eu ja expliquei... o senhor ligou para o disk amizade.
-qual o problema de misturar amizade e sexo? hein?
-nenhum problema, senhor, é só uma questão burocrática.
-então você não vai nem me fazer uma chupetinha?
-não, senhor.
-nem ser minha amiga?
-não, senhor.
-ô, merda, hein.
-pois é, senhor.
-mas escuta... que lanche você vai comer?
-oi, tudo bem.
-tudo.
-o que você deseja?
-eu desejo fazer um amigo, aí não é o disk amizade?
-é, sim senhor.
-você vai ser minha amiga?
-não posso, senhor. atendi o telefone sem querer, estava só passando.
-você pode me chamar de amigo?
-senhor, desculpe, me sinto desconfortável com a situação.
-mas aí é o disk amizade, não é?
-é, sim senhor.
-então.
-mas eu estava só passando, estava indo buscar meu lanche.
-o que você vai comer?
-não sei, parei aqui pra atender o telefone.
-e você estava vindo de onde pra buscar o lanche?
-eu vinha do disk sexo, senhor.
-disk sexo?
-sim, senhor.
-quer dizer que você pode fazer sexo mas não pode ser minha amiga?
-isso, senhor.
-então podemos fazer sexo?
-infelizmente não, senhor.
-mas como não?
-é que o senhor ligou para o disk amizade.
-mas você é do disk sexo.
-mas eu só atendi porque não havia ninguém aqui.
-não haviam amigos, né?
-não, senhor.
-pra onde foram os amigos?
-devem ter ido buscar um lanche.
-e aí você atendeu, né? mas que tipo de putaria é essa, caralho?
-me desculpe, senhor, como assim?
-vocês ficam atendendo o telefone do outro, porra?
-desculpe, senhor, é o hábito.
-hábito de cu é rola, filha da puta, eu não liguei para o disk casa da mãe joana, eu só quero um amigo.
-eu não tenho treinamento para ser uma amiga, senhor.
-mas que cacete de disk amigo você trabalha!
-eu sou do disk sexo, senhor.
-então quero fazer sexo.
-senhor, eu ja expliquei... o senhor ligou para o disk amizade.
-qual o problema de misturar amizade e sexo? hein?
-nenhum problema, senhor, é só uma questão burocrática.
-então você não vai nem me fazer uma chupetinha?
-não, senhor.
-nem ser minha amiga?
-não, senhor.
-ô, merda, hein.
-pois é, senhor.
-mas escuta... que lanche você vai comer?
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
poesia e decadência.
me sinto velho.
cacetada.
como fui me sentir velho assim? quais são os sinais do envelhecimento?
engordar? sim.
ficar careca? sim.
rugas? acho que sempre as tive.
ficar ranzinza? acho que sempre fui.
dor nas pernas? não chega a tanto, mas eu podia jurar que a escada de casa tinha 12 degraus, e agora me parecem uns 22.
o que mais? tem aquela frase: "se a música está ficando muito alta, é porque você está ficando velho demais". no meu caso, não sei se isso se aplica, já que a música está cada vez mais baixa, uma vez que estou ficando surdo. aliás, se você me ver do outro lado da rua, não gaste seu fôlego e saliva gritando: eu não ouvirei. você pode tentar acenar, mas não sei se enxergarei, estou ficando míope.
tem dias que me sinto velho, mas talvez esse não seja o termo. eu me sinto mesmo é decadente. eu lembro que costumava achar lindas as coisas decadentes, achava que havia certa poesia na decadência.
amigos, poesia na decadência, só se for lá na casa do cacete.
cacetada.
como fui me sentir velho assim? quais são os sinais do envelhecimento?
engordar? sim.
ficar careca? sim.
rugas? acho que sempre as tive.
ficar ranzinza? acho que sempre fui.
dor nas pernas? não chega a tanto, mas eu podia jurar que a escada de casa tinha 12 degraus, e agora me parecem uns 22.
o que mais? tem aquela frase: "se a música está ficando muito alta, é porque você está ficando velho demais". no meu caso, não sei se isso se aplica, já que a música está cada vez mais baixa, uma vez que estou ficando surdo. aliás, se você me ver do outro lado da rua, não gaste seu fôlego e saliva gritando: eu não ouvirei. você pode tentar acenar, mas não sei se enxergarei, estou ficando míope.
tem dias que me sinto velho, mas talvez esse não seja o termo. eu me sinto mesmo é decadente. eu lembro que costumava achar lindas as coisas decadentes, achava que havia certa poesia na decadência.
amigos, poesia na decadência, só se for lá na casa do cacete.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
me avisa se doer.
há algo de super-herói nos dentistas, já disse certa vez. não porque sejam capazes de incríveis façanhas em nossas bocas ou porque possam voar, mas eles são cheios de brinquedinhos incríveis. um consultório de dentista é quase uma cinto de utilidades do batman.
eles têm uma cadeira que sobe e desce e reclina (e eles nunca usam as mãos para fazer isso, você senta e VOILÁ!), eles têm "arminhas" que soltam ar, arminhas que soltam água, coisinhas que fazem barulho, coisinhas com motorzinho que giram, super alicatezinhos e coisas assim, sem esquecer do incrível super sugador de baba. qualquer dia eu chego na minha dentista e ela vai me fazer uma obturação com uma espada de jedi.
(aviso: se você riu, parabéns, você é um nerd. caso não tenha rido, você ainda tem salvação).
eles têm uma cadeira que sobe e desce e reclina (e eles nunca usam as mãos para fazer isso, você senta e VOILÁ!), eles têm "arminhas" que soltam ar, arminhas que soltam água, coisinhas que fazem barulho, coisinhas com motorzinho que giram, super alicatezinhos e coisas assim, sem esquecer do incrível super sugador de baba. qualquer dia eu chego na minha dentista e ela vai me fazer uma obturação com uma espada de jedi.
(aviso: se você riu, parabéns, você é um nerd. caso não tenha rido, você ainda tem salvação).
sábado, 17 de janeiro de 2009
frusciante, lanches e pingas.
hoje eu "redescobri" john frusciante, ouvindo seu disco novo. ouvi o dia todo, enquanto trabalhava. vez ou outra olhava um velho livro do bukowski que me chamava para lê-lo, mas não podia fazê-lo, sem tempo. o trabalho me tomou essa semana. o livro era "misto quente", já lido há muitos anos, quando eu ainda freqüentava uma biblioteca suja no centro da cidade e passava a tarde lá garimpando no meio da poeira e descobrindo coisas fantásticas nas páginas que cheiravam a mijo de rato.
mas eu queria ler de novo. a primeira frase do livro é "a primeira coisa de que me lembro é de estar debaixo de alguma coisa". enquanto ouvia a tristeza cativante do frusciante, me perguntava qual é a primeira coisa que me lembro. o frusciante cantando, o livro repousando, e eu trabalhando e não lembrando de porra nenhuma. eu queria ter uma primeira lembrança legal, fosse boa ou ruim, mas que tivesse um peso dramático ou qualquer coisa assim, como me lembrar do sorriso de alguém, ou da grama por onde eu engatinhava, ou da bosta do cachorro que eu comi quando pequeno, ou qualquer coisa, mas a verdade é que eu não lembro de nada. são coisas tão distantes que parecem não me pertencer. eu não tenho uma "primeira lembrança", mas uma confusão misturada de várias delas. acho que a primeira coisa mais concreta que me lembro, eu já devia ter uns 10 anos de idade. eu era apaixonado - ou sei lá o que eu achava que fosse nessa idade - por uma garotinha-que-eu-não-lembro-o-nome, e por alguma razão idiota, eu achei que dar meu lanche a ela seria uma idéia muito boa. pensei nisso o dia todo e no dia seguinte fui lá com o lanche, estendi a mão num ato carinhoso e dei a ela meu coração, digo, meu lanche, que ela jogou no chão enquanto gritava: "sai daqui! eu não quero o seu lanche!"
óbvio que isso me rendeu anos de complexo e de frustração, baixa auto-estima e medo de ser rejeitado. garotinha filha da puta.
depois disso, me lembro de ter uns 12 anos e tomar um choque numa árvore de natal gigante. lembro do meu primeiro porre, um pouco depois disso, que foi num aniversário meu, e foi de pinga pura. lembro que a primeira impressão a respeito do álcool foi "essa porra tá anestesiando minha boca" e que depois eu tentei beijar uma garota, mas a minha boca estava mole e eu babava, o que foi bastante estranho e - claro - fui rejeitado. pensei em dar um lanche pra ela, mas achei mais útil comê-lo.
lembranças.
e o frusciante agora canta uma música do tim buckley. dá-lhe frusciante.
mas eu queria ler de novo. a primeira frase do livro é "a primeira coisa de que me lembro é de estar debaixo de alguma coisa". enquanto ouvia a tristeza cativante do frusciante, me perguntava qual é a primeira coisa que me lembro. o frusciante cantando, o livro repousando, e eu trabalhando e não lembrando de porra nenhuma. eu queria ter uma primeira lembrança legal, fosse boa ou ruim, mas que tivesse um peso dramático ou qualquer coisa assim, como me lembrar do sorriso de alguém, ou da grama por onde eu engatinhava, ou da bosta do cachorro que eu comi quando pequeno, ou qualquer coisa, mas a verdade é que eu não lembro de nada. são coisas tão distantes que parecem não me pertencer. eu não tenho uma "primeira lembrança", mas uma confusão misturada de várias delas. acho que a primeira coisa mais concreta que me lembro, eu já devia ter uns 10 anos de idade. eu era apaixonado - ou sei lá o que eu achava que fosse nessa idade - por uma garotinha-que-eu-não-lembro-o-nome, e por alguma razão idiota, eu achei que dar meu lanche a ela seria uma idéia muito boa. pensei nisso o dia todo e no dia seguinte fui lá com o lanche, estendi a mão num ato carinhoso e dei a ela meu coração, digo, meu lanche, que ela jogou no chão enquanto gritava: "sai daqui! eu não quero o seu lanche!"
óbvio que isso me rendeu anos de complexo e de frustração, baixa auto-estima e medo de ser rejeitado. garotinha filha da puta.
depois disso, me lembro de ter uns 12 anos e tomar um choque numa árvore de natal gigante. lembro do meu primeiro porre, um pouco depois disso, que foi num aniversário meu, e foi de pinga pura. lembro que a primeira impressão a respeito do álcool foi "essa porra tá anestesiando minha boca" e que depois eu tentei beijar uma garota, mas a minha boca estava mole e eu babava, o que foi bastante estranho e - claro - fui rejeitado. pensei em dar um lanche pra ela, mas achei mais útil comê-lo.
lembranças.
e o frusciante agora canta uma música do tim buckley. dá-lhe frusciante.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
O pior do mundo.
O mundo é algo entre o asco e o escarro, habitado por sacos de merda que nascem, crescem e morrem na mediocridade. Alguns enfiados em roupas de escritório e alguns com as roupas de escritório enfiadas no cu. Carreiras bem sucedidas, é o mundo moderno, não há tempo para preguiça, você tem que ser útil, rapaz, você tem que ser útil.
Não eu.
Eu sou um inútil. Se o mundo é algo entre o asco e o escarro, eu nem mesmo fui cuspido. Transito no escuro e durmo em espeluncas que - com muita sorte - cheiram à urina. Eu não serei útil, não nesse mundo.
Naqueles tempos eu me enrolava na cama com uma mulher, Maria. Nome de santa, mas de santa nada tinha. Trepava como se fosse a última vez na vida. Não, não era bonita, o que um cara como eu teria com uma mulher bonita? Mas ela me bastava, e muito bem. O dinheiro começou a faltar e ela reclamava que não ia mais poder pagar casa e comida sozinha, "teu pau não vale tanto assim", dizia. Ela é que nos sustentava. Gostava um bocado de mim - devia gostar - pra sustentar um vagabundo assim. Mas com o tempo, a gente teve que escolher entre comprar cervejas ou pílulas anticoncepcionais. Amigo, não se vive sem cerveja. Maria engravidou.
-Tira fora - eu disse.
-Não tenho dinheiro, custa caro fazer essas coisas - respondeu seca.
-Tem uns jeitos baratos, dá pra fazer um lance com umas agulhas de tricô…
-Olha, se você acha que eu vou enfiar uma agulha na minha buceta, tá muito enganado!
-Por que a paranóia? Aposto que você já enfiou coisas bem maiores aí dentro.
-É, mas com certeza não foi seu pau.
Depois de dois dias finalmente descobri que ela queria ter o filho. Eu realmente tenho que dar o braço a torcer : Maria sabia o que queria. Devia saber. Eu procurava não me preocupar com os porquês da Maria. Basicamente era assim que eu vivia, sem me preocupar. Não tenho ruga nenhuma. Também não tenho fígado, não tenho dinheiro, não tenho roupas, mas não tenho ruga nenhuma. Minha testa é lisa como bunda de nenê. Me deixem em paz, eu não perturbo.
-Eu quero o filho, disse ela
-Olha, sei que sou o homem perfeito, mas você encontra outro pra ser o pai dos seus filhos.
-Não tem nada a ver com você...Não precisa se preocupar, eu te conheço. Pode sumir se quiser.
Claro que eu ia sumir. Mas mesmo assim me preocupava deixar um rastro no mundo. Pra que piorar essa merda? Já tem gente demais aqui no universo. Devíamos praticar apenas sexo oral e anal. Sem riscos de deixar rastro. Seria uma maravilha. Um dia, não haveria mais ninguém no mundo, seria o fim da era dos sacos de merda. O fim da humanidade seria causado pelo sexo anal. Talvez só sobrassem as baratas, afinal, dizem que apenas elas resistiriam ao fim do mundo.
-Maria, você não vai ter dinheiro pra sustentar EU e mais um filho.
Maria me olhou com ódio. Às vezes eu vou longe demais. Os dias se passaram. Quer ter o filho? Tenha. Não me mande notícias, vou estar bêbado demais pra entender que tem alguém andando por aí com o mesmo sangue que o meu. Se um dia eu precisar de uma medula, mando avisar. O meu plano brilhante era aproveitar o máximo a hospitalidade de Maria, até a barriga dela começar a crescer e eu sumir. A não ser que eu me tornasse tarado por grávidas, aí eu ficaria mais um pouco, e só depois sumiria. Mas as coisas começaram a piorar. Depois de uma semana ela apareceu com um monte de fraldas e roupas, chocalhinhos e esse tipo de coisa que deixa a criança imbecil como os pais.
-Maria, me dá dinheiro pra cerveja.
-Não tenho.
-Mas você não quer cerveja?
-Vou parar de beber, não é bom pro bebê.
-Se é meu filho, eu duvido que ele ache bom ficar sem beber.Me dá o dinheiro que minha garganta tá seca pra caralho.
-Daqui pra frente, VOCÊ compra sua cerveja, “querido”.
-Porra, Maria, você não me ama?
-Não.
-Porra, você tá gastando todo o NOSSO dinheiro com umas merdas de fraldas que só vai usar daqui a nove meses! Caralho, que merda você pensa que tá fazendo? Se me quer aqui, me dá cerveja! Se não quer, fala logo e eu sumo! O que eu acho uma merda é ficar nessa bosta sem cerveja!
-Então some – disse, numa serenidade tão macia e cheia de certeza que me deu até sono.
Normal. Sempre acontece. Não peguei minha coisas, até porque não tinha muitas, a não ser as que ela me deu. Me calei e fui dar uma mijada. E fiz questão de mijar pra fora da privada, em todo o banheiro. Fui só me despedir. Pensei até em dar uma última trepada, não custava nada, eu não sou de guardar ressentimentos.
-Tchau, Maria – dei um beijo e apertei sua bunda.
- Não - disse se afastando – é melhor você ir logo. Você já tá me dando nojo.
Me afastei.
- Nojo? Por que? Meu pau andou entortando mais pra direita?
-Você fez um filho e não tá nem aí.
-Olha, Maria, eu avisei que tava pouco me fodendo e você disse que era responsabilidade sua.
-Eu sei, mas eu esperava mais de você. Você não quis nem saber que nome eu vou dar pra ele. Depois, daqui a vinte anos, você seria capaz de encontrar seu filho e nem saber.
-Nome? Já tem nome? Cê nem sabe se é menino ou menina!
-Vai ser menino, eu sei. E vai se chamar Jesus.
Oh oh, pensei. Jesus. Filho de Maria.
-Então quem eu sou? João? Ou foi José? Quem é o pai de Jesus mesmo? Eu nunca fui bom nesse negócio de Bíblia…Não! Claro que não! Esqueci: eu sou Deus.
-Você me enoja, seu bosta!- oh oh, ela vai gritar – Você é um merda! UM MERDA! – ela está gritando – SOME! COMO EU ME ODEIO POR TER PERDIDO TEMPO COM VOCÊ! VOCÊ É UM BOSTA!
-Sim, amor, eu sou. E você é pior que eu , porque só conseguiu ter um filho com um bosta, e teu filho tá fadado a ser um bosta, mesmo eu sendo Deus.
-FILHO DA PUTA!
Maria avançou em mim aos tapas. As unhas me machucavam o rosto. Eu apenas me esquivava. Ela acertou muitos na minha cara até eu revidar, foi inevitável, ela estava descontrolada. Desci um tapa em sua cara. Maria parou o escândalo. Me olhou, os olhos cheios de raiva e alguma surpresa. Foi pra cozinha. Voltou com uma faca. Avançou. Eu me esquivei. Avançou de novo. Os olhos já não tinham raiva, apenas uma tranqüilidade de quem sabe que fará um bem ao mundo. Avançou pela terceira vez, pegou meu braço, uma risca de sangue. Ardeu. E de novo, outro risca. Quando avançou novamente em direção à garganta, foi impossível não me defender, e a empurrei para parede, usando seu próprio impulso. Ela ainda virou e levantou a mão, com a faca brilhando. Dei-lhe um soco. Ela cambaleou e tropeçou na escada. Rolou feito uma bola de merda seca. O barulho dela caindo foi agonizante. Degrau a degrau, parecia que nunca acabaria. Uma escada sem fim. Ao final de cada degrau, surgiria um novo. Degraus brotariam do chão e prolongariam a queda. Aquilo não acabava, que tortura.
Enfim, o silêncio.
Fui até o topo da escada. Lá estava ela, caída na sala, toda retorcida. Desci. Ela ainda respirava, estava bem, ia sobreviver e com sorte nem ficaria mais feia do que já era. Mas provavelmente o moleque já tinha ido pro saco. Sentei ao lado dela e tentei pensar no que fazer. Pensei em hospitais, em polícia e em cerveja. Mas só o pensamento da cerveja permaneceu. Aquilo tudo fez eu me sentir muito mal: era a constatação definitiva de que eu era um inútil. Cerveja. Do jeito que as coisas caminhavam pra mim, acabaria sozinho. Ou talvez apenas com uma barata para me fazer companhia. Eu, a barata, e um bocado de cerveja. Juntos, até o fim do mundo.
Maria abriu os olhos lentamente. Fez um bocado de esforço pra dizer algo, mas eu não escutava os sussurros. Cheguei com o ouvido perto da sua boca e ouvi, bem baixinho:
-Filho da puta…meu filho… filho da puta…
-Desculpa, não entendi…seu filho é um filho da puta? O que que a Madalena tem a ver com isso?
-Seu bosta…
-Bom, Maria, pelo menos você não precisou enfiar uma agulha na buceta.
Levantei e fui embora, procurar uma cerveja gelada. No caminho, esmaguei uma barata: ficarei só, aqui ou no fim do mundo.
Não eu.
Eu sou um inútil. Se o mundo é algo entre o asco e o escarro, eu nem mesmo fui cuspido. Transito no escuro e durmo em espeluncas que - com muita sorte - cheiram à urina. Eu não serei útil, não nesse mundo.
Naqueles tempos eu me enrolava na cama com uma mulher, Maria. Nome de santa, mas de santa nada tinha. Trepava como se fosse a última vez na vida. Não, não era bonita, o que um cara como eu teria com uma mulher bonita? Mas ela me bastava, e muito bem. O dinheiro começou a faltar e ela reclamava que não ia mais poder pagar casa e comida sozinha, "teu pau não vale tanto assim", dizia. Ela é que nos sustentava. Gostava um bocado de mim - devia gostar - pra sustentar um vagabundo assim. Mas com o tempo, a gente teve que escolher entre comprar cervejas ou pílulas anticoncepcionais. Amigo, não se vive sem cerveja. Maria engravidou.
-Tira fora - eu disse.
-Não tenho dinheiro, custa caro fazer essas coisas - respondeu seca.
-Tem uns jeitos baratos, dá pra fazer um lance com umas agulhas de tricô…
-Olha, se você acha que eu vou enfiar uma agulha na minha buceta, tá muito enganado!
-Por que a paranóia? Aposto que você já enfiou coisas bem maiores aí dentro.
-É, mas com certeza não foi seu pau.
Depois de dois dias finalmente descobri que ela queria ter o filho. Eu realmente tenho que dar o braço a torcer : Maria sabia o que queria. Devia saber. Eu procurava não me preocupar com os porquês da Maria. Basicamente era assim que eu vivia, sem me preocupar. Não tenho ruga nenhuma. Também não tenho fígado, não tenho dinheiro, não tenho roupas, mas não tenho ruga nenhuma. Minha testa é lisa como bunda de nenê. Me deixem em paz, eu não perturbo.
-Eu quero o filho, disse ela
-Olha, sei que sou o homem perfeito, mas você encontra outro pra ser o pai dos seus filhos.
-Não tem nada a ver com você...Não precisa se preocupar, eu te conheço. Pode sumir se quiser.
Claro que eu ia sumir. Mas mesmo assim me preocupava deixar um rastro no mundo. Pra que piorar essa merda? Já tem gente demais aqui no universo. Devíamos praticar apenas sexo oral e anal. Sem riscos de deixar rastro. Seria uma maravilha. Um dia, não haveria mais ninguém no mundo, seria o fim da era dos sacos de merda. O fim da humanidade seria causado pelo sexo anal. Talvez só sobrassem as baratas, afinal, dizem que apenas elas resistiriam ao fim do mundo.
-Maria, você não vai ter dinheiro pra sustentar EU e mais um filho.
Maria me olhou com ódio. Às vezes eu vou longe demais. Os dias se passaram. Quer ter o filho? Tenha. Não me mande notícias, vou estar bêbado demais pra entender que tem alguém andando por aí com o mesmo sangue que o meu. Se um dia eu precisar de uma medula, mando avisar. O meu plano brilhante era aproveitar o máximo a hospitalidade de Maria, até a barriga dela começar a crescer e eu sumir. A não ser que eu me tornasse tarado por grávidas, aí eu ficaria mais um pouco, e só depois sumiria. Mas as coisas começaram a piorar. Depois de uma semana ela apareceu com um monte de fraldas e roupas, chocalhinhos e esse tipo de coisa que deixa a criança imbecil como os pais.
-Maria, me dá dinheiro pra cerveja.
-Não tenho.
-Mas você não quer cerveja?
-Vou parar de beber, não é bom pro bebê.
-Se é meu filho, eu duvido que ele ache bom ficar sem beber.Me dá o dinheiro que minha garganta tá seca pra caralho.
-Daqui pra frente, VOCÊ compra sua cerveja, “querido”.
-Porra, Maria, você não me ama?
-Não.
-Porra, você tá gastando todo o NOSSO dinheiro com umas merdas de fraldas que só vai usar daqui a nove meses! Caralho, que merda você pensa que tá fazendo? Se me quer aqui, me dá cerveja! Se não quer, fala logo e eu sumo! O que eu acho uma merda é ficar nessa bosta sem cerveja!
-Então some – disse, numa serenidade tão macia e cheia de certeza que me deu até sono.
Normal. Sempre acontece. Não peguei minha coisas, até porque não tinha muitas, a não ser as que ela me deu. Me calei e fui dar uma mijada. E fiz questão de mijar pra fora da privada, em todo o banheiro. Fui só me despedir. Pensei até em dar uma última trepada, não custava nada, eu não sou de guardar ressentimentos.
-Tchau, Maria – dei um beijo e apertei sua bunda.
- Não - disse se afastando – é melhor você ir logo. Você já tá me dando nojo.
Me afastei.
- Nojo? Por que? Meu pau andou entortando mais pra direita?
-Você fez um filho e não tá nem aí.
-Olha, Maria, eu avisei que tava pouco me fodendo e você disse que era responsabilidade sua.
-Eu sei, mas eu esperava mais de você. Você não quis nem saber que nome eu vou dar pra ele. Depois, daqui a vinte anos, você seria capaz de encontrar seu filho e nem saber.
-Nome? Já tem nome? Cê nem sabe se é menino ou menina!
-Vai ser menino, eu sei. E vai se chamar Jesus.
Oh oh, pensei. Jesus. Filho de Maria.
-Então quem eu sou? João? Ou foi José? Quem é o pai de Jesus mesmo? Eu nunca fui bom nesse negócio de Bíblia…Não! Claro que não! Esqueci: eu sou Deus.
-Você me enoja, seu bosta!- oh oh, ela vai gritar – Você é um merda! UM MERDA! – ela está gritando – SOME! COMO EU ME ODEIO POR TER PERDIDO TEMPO COM VOCÊ! VOCÊ É UM BOSTA!
-Sim, amor, eu sou. E você é pior que eu , porque só conseguiu ter um filho com um bosta, e teu filho tá fadado a ser um bosta, mesmo eu sendo Deus.
-FILHO DA PUTA!
Maria avançou em mim aos tapas. As unhas me machucavam o rosto. Eu apenas me esquivava. Ela acertou muitos na minha cara até eu revidar, foi inevitável, ela estava descontrolada. Desci um tapa em sua cara. Maria parou o escândalo. Me olhou, os olhos cheios de raiva e alguma surpresa. Foi pra cozinha. Voltou com uma faca. Avançou. Eu me esquivei. Avançou de novo. Os olhos já não tinham raiva, apenas uma tranqüilidade de quem sabe que fará um bem ao mundo. Avançou pela terceira vez, pegou meu braço, uma risca de sangue. Ardeu. E de novo, outro risca. Quando avançou novamente em direção à garganta, foi impossível não me defender, e a empurrei para parede, usando seu próprio impulso. Ela ainda virou e levantou a mão, com a faca brilhando. Dei-lhe um soco. Ela cambaleou e tropeçou na escada. Rolou feito uma bola de merda seca. O barulho dela caindo foi agonizante. Degrau a degrau, parecia que nunca acabaria. Uma escada sem fim. Ao final de cada degrau, surgiria um novo. Degraus brotariam do chão e prolongariam a queda. Aquilo não acabava, que tortura.
Enfim, o silêncio.
Fui até o topo da escada. Lá estava ela, caída na sala, toda retorcida. Desci. Ela ainda respirava, estava bem, ia sobreviver e com sorte nem ficaria mais feia do que já era. Mas provavelmente o moleque já tinha ido pro saco. Sentei ao lado dela e tentei pensar no que fazer. Pensei em hospitais, em polícia e em cerveja. Mas só o pensamento da cerveja permaneceu. Aquilo tudo fez eu me sentir muito mal: era a constatação definitiva de que eu era um inútil. Cerveja. Do jeito que as coisas caminhavam pra mim, acabaria sozinho. Ou talvez apenas com uma barata para me fazer companhia. Eu, a barata, e um bocado de cerveja. Juntos, até o fim do mundo.
Maria abriu os olhos lentamente. Fez um bocado de esforço pra dizer algo, mas eu não escutava os sussurros. Cheguei com o ouvido perto da sua boca e ouvi, bem baixinho:
-Filho da puta…meu filho… filho da puta…
-Desculpa, não entendi…seu filho é um filho da puta? O que que a Madalena tem a ver com isso?
-Seu bosta…
-Bom, Maria, pelo menos você não precisou enfiar uma agulha na buceta.
Levantei e fui embora, procurar uma cerveja gelada. No caminho, esmaguei uma barata: ficarei só, aqui ou no fim do mundo.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
terça-feira, 19 de agosto de 2008
oito mil infinitos.
estou dilacerando a alma em oito mil pedaços deitados
oito mil infinitos
que encerram-se em mim.
quatro mil deles, carrego no corpo
trafegam entre veias,
explodem em cansaço.
os outros, carrego na cabeça
habitam os sonhos e vivem nos olhos.
morrem na boca,
antes do beijo.
caminho entre mim, prenhe de infinitos,
pronto para parir um fim.
oito mil infinitos
que encerram-se em mim.
quatro mil deles, carrego no corpo
trafegam entre veias,
explodem em cansaço.
os outros, carrego na cabeça
habitam os sonhos e vivem nos olhos.
morrem na boca,
antes do beijo.
caminho entre mim, prenhe de infinitos,
pronto para parir um fim.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
grande henry chinaski.
"Nove décimos de mim já morreram, mas eu guardo o décimo restante como uma arma" - Charles Bukowski
terça-feira, 22 de julho de 2008
amanhã não tem chuva que limpe.
No começo, foi o beijo
A saliva
A lambida
A dança das língüas
Mas a minha, tímida e ínsipida
Se escondia hirta
Atrás dos dentes tortos.
Depois, foram os corpos
Despidos e desnudos
Desprotegidos do abraço do escuro
Livres e frágeis, alvos
Perfeitos pro abate.
Eretos pedaços de carne.
Então aprendi a dança dos corpos
Tomei todos os lábios ao meu alcance
Todo o sangue
E deixei em cada um deles a minha vida
Que, uma vez extraída,
Em mim reverberava em morte.
E a fome, sempre a fome.
Insistente, latente e viva; ela sempre:
A fome.
Um dia, ela surgiu de um algodão doce,
Esplandeceu
E, voando, tomou meu corpo e me arrebatou.
Carregava uma cabeça de criança
Se vestia de açucar
E cantava vinho.
Me olhava como se eu fosse uma nuvem perdida no céu em forma de homem.
Me vestiu feito fantasia
Me tomou feito leite
Me engoliu o dedo
Me descobriu o tato
Me tomou o falo
E lavou, na saliva, o meu medo.
Engoliu as feridas e cospiu meus ossos.
Se satisfez.
Depois,
Partiu na neblina e me deixou na embriaguez.
Idiota, eu sorri.
A saliva
A lambida
A dança das língüas
Mas a minha, tímida e ínsipida
Se escondia hirta
Atrás dos dentes tortos.
Depois, foram os corpos
Despidos e desnudos
Desprotegidos do abraço do escuro
Livres e frágeis, alvos
Perfeitos pro abate.
Eretos pedaços de carne.
Então aprendi a dança dos corpos
Tomei todos os lábios ao meu alcance
Todo o sangue
E deixei em cada um deles a minha vida
Que, uma vez extraída,
Em mim reverberava em morte.
E a fome, sempre a fome.
Insistente, latente e viva; ela sempre:
A fome.
Um dia, ela surgiu de um algodão doce,
Esplandeceu
E, voando, tomou meu corpo e me arrebatou.
Carregava uma cabeça de criança
Se vestia de açucar
E cantava vinho.
Me olhava como se eu fosse uma nuvem perdida no céu em forma de homem.
Me vestiu feito fantasia
Me tomou feito leite
Me engoliu o dedo
Me descobriu o tato
Me tomou o falo
E lavou, na saliva, o meu medo.
Engoliu as feridas e cospiu meus ossos.
Se satisfez.
Depois,
Partiu na neblina e me deixou na embriaguez.
Idiota, eu sorri.
terça-feira, 15 de julho de 2008
abismo.
éramos leves
transbordávamos os anjos
dançavamos sem pele
éramos um
respirávamos o outro
e bebíamos a febre
não somos mais
nem um sequer
sou o resto do amor
a casa vazia
a luz apagada.
sou o silêncio da dor
a falta de vida
a janela fechada.
sou o início do abismo.
sou o fim da alma.
transbordávamos os anjos
dançavamos sem pele
éramos um
respirávamos o outro
e bebíamos a febre
não somos mais
nem um sequer
sou o resto do amor
a casa vazia
a luz apagada.
sou o silêncio da dor
a falta de vida
a janela fechada.
sou o início do abismo.
sou o fim da alma.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
estrelinhas.
fofolete, bêbado, depois de beber de graça a noite toda, não consegue abrir a porta do carro. deita no capô deste e olha o céu estrelado.
-as estrelinhas... são as casinhas dos ETs... as estrelinhas.. são as casinhas... tem um ET em cada casinha, e cada casinha tem uma campainha que faz barulho de estrelinha e tá cheeeeeeeeeeeeio de estrelinha láááááá no céu. a lua é feita de queijo, eu vou jogar azeite nela e comer.
o amigo do fofolete chega, também não encontrou seu carro.
"o que você tá vendo aí no céu?"
"os ets."
o amigo do fofolete olha para o céu por 4 minutos, em silêncio.
"ets filhas da puta, roubaram meu carro."
fofolete e o amigo vão até o habib's em frente ao bar onde estavam, para comer e esperar as estrelinhas pararem de rodar, conseguindo assim, ao menos, entrar no carro.
4 horas depois, fofolete chega em sua casa, que não era uma estrelinha, embora se sentisse um ET.
-as estrelinhas... são as casinhas dos ETs... as estrelinhas.. são as casinhas... tem um ET em cada casinha, e cada casinha tem uma campainha que faz barulho de estrelinha e tá cheeeeeeeeeeeeio de estrelinha láááááá no céu. a lua é feita de queijo, eu vou jogar azeite nela e comer.
o amigo do fofolete chega, também não encontrou seu carro.
"o que você tá vendo aí no céu?"
"os ets."
o amigo do fofolete olha para o céu por 4 minutos, em silêncio.
"ets filhas da puta, roubaram meu carro."
fofolete e o amigo vão até o habib's em frente ao bar onde estavam, para comer e esperar as estrelinhas pararem de rodar, conseguindo assim, ao menos, entrar no carro.
4 horas depois, fofolete chega em sua casa, que não era uma estrelinha, embora se sentisse um ET.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
psiu.
"na madrugada a vitrola rolando, tocando B.B King sem parar".
eu não sei quem fez esse catzo de caraléo de música, mas aqui no bar do lado do meu escritório, não bastasse a banda estar tocando esta digníssma obra-prima, o bar inteiro - e muitas pessoas na rua também - cantam essa obra do inferno, ecoando por todo o bairro que a porra do catzo dessa merda de vitrola da casa do caralho vai tocar B.B King até o cú da égua fazer uma porra dum bico filho da puta do cacete.
APA.
APAPUTAQUEOPARIU.
nessas horas em que me torno um velho de bengala - mas de bom gosto - é que me pergunto: cadê o PSIU?
ah, vá.
eu não sei quem fez esse catzo de caraléo de música, mas aqui no bar do lado do meu escritório, não bastasse a banda estar tocando esta digníssma obra-prima, o bar inteiro - e muitas pessoas na rua também - cantam essa obra do inferno, ecoando por todo o bairro que a porra do catzo dessa merda de vitrola da casa do caralho vai tocar B.B King até o cú da égua fazer uma porra dum bico filho da puta do cacete.
APA.
APAPUTAQUEOPARIU.
nessas horas em que me torno um velho de bengala - mas de bom gosto - é que me pergunto: cadê o PSIU?
ah, vá.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
a dignificação do homem ou "como virei a xuxa".
me dá um copo de café, eu preciso de café.
gostaria de descrever aqui os últimos dias da semana passada, ainda envolto pela densa névoa do trabalho (sim, porque dizer que o trabalho dignifica o homem é balela).
sexta eu acordei 05h00. fui editar. sou videomaker. fazedor de vídeo. à noite, fui gravar (o que é um puta cansaço físico, parece que você foi atropelado por uma manada de rinocerontes). fui dormir às 04h00 (já sábado de manhã) e acordei às 07h00, pois precisava editar. embora meu corpo necessitasse de pelo menos oito horas de sono, quase não dormi, e dormi mal. depois, fui gravar novamente, até sete da manhã do domingo. foram 12 horas seguidas com uma câmera na mão, focando, desfocando, focando, desfocando... quando entrei no carro, tentei até focar o farol. o que passava pela minha frente eu queria focar. dormi até 18h00 do domingo, acordei e não consegui levantar, com a coluna travada, tomei banho deitado, melhorei, e ainda trabalhei até umas 03h00. o cansaço me corroía até a alma.
enquanto editava, babei oito vezes no teclado.
também desconfio que mijei na calça, porque estava bem quentinho ali.
às vezes eu ficava repetindo o meu nome, pra não esquecer quem eu era. mas aí as palavras se confundiam e ficava difícil. eu comecei repetindo "fofolete, fofolete, fofolete", depois virei o fofão e - não sei como - acabei sendo a xuxa.
escutem bem o que eu digo: não há droga pior que o trabalho. sejam vagabundos.
gostaria de descrever aqui os últimos dias da semana passada, ainda envolto pela densa névoa do trabalho (sim, porque dizer que o trabalho dignifica o homem é balela).
sexta eu acordei 05h00. fui editar. sou videomaker. fazedor de vídeo. à noite, fui gravar (o que é um puta cansaço físico, parece que você foi atropelado por uma manada de rinocerontes). fui dormir às 04h00 (já sábado de manhã) e acordei às 07h00, pois precisava editar. embora meu corpo necessitasse de pelo menos oito horas de sono, quase não dormi, e dormi mal. depois, fui gravar novamente, até sete da manhã do domingo. foram 12 horas seguidas com uma câmera na mão, focando, desfocando, focando, desfocando... quando entrei no carro, tentei até focar o farol. o que passava pela minha frente eu queria focar. dormi até 18h00 do domingo, acordei e não consegui levantar, com a coluna travada, tomei banho deitado, melhorei, e ainda trabalhei até umas 03h00. o cansaço me corroía até a alma.
enquanto editava, babei oito vezes no teclado.
também desconfio que mijei na calça, porque estava bem quentinho ali.
às vezes eu ficava repetindo o meu nome, pra não esquecer quem eu era. mas aí as palavras se confundiam e ficava difícil. eu comecei repetindo "fofolete, fofolete, fofolete", depois virei o fofão e - não sei como - acabei sendo a xuxa.
escutem bem o que eu digo: não há droga pior que o trabalho. sejam vagabundos.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
efeitos colaterais do excesso de trabalho.
eu não entendo, olha só.
eu mexo o mouse, né?
tipo... se você mexe o mouse pra esquerda, no monitor, a setinha vai pra esquerda, né?
se mexer pra direita... direita, né?
pra baixo...vai pra baixo...e pra cima, tal.
certo?
então...
por que quando eu LEVANTO o mouse da mesa, a setinha não SAI da tela?
eu tô com uma nóia desgraçada que eu tenho que tirar essa porra de setinha da tela, ela tem que sair e vir na minha direção. tô ficando maluco já.
quando eu levanto o mouse, a setinha tinha que sair do computador e bater no meu nariz.
tecnologia é tudo uma merda mesmo.
eu mexo o mouse, né?
tipo... se você mexe o mouse pra esquerda, no monitor, a setinha vai pra esquerda, né?
se mexer pra direita... direita, né?
pra baixo...vai pra baixo...e pra cima, tal.
certo?
então...
por que quando eu LEVANTO o mouse da mesa, a setinha não SAI da tela?
eu tô com uma nóia desgraçada que eu tenho que tirar essa porra de setinha da tela, ela tem que sair e vir na minha direção. tô ficando maluco já.
quando eu levanto o mouse, a setinha tinha que sair do computador e bater no meu nariz.
tecnologia é tudo uma merda mesmo.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
frio, cruel e destemido.
tive um sonho esquisito.
eu era eu (isso é importante nos sonhos), e no porta-malas do meu carro, por algum motivo, eu levava um assassino frio, cruel e destemido. ele estava dentro da minúscula caixa de ferramentas, mas estava inteiro e vivo. e eu tinha que levá-lo até a sua "goma", onde ele estaria seguro. acho que eu trabalhava pra ele, não sei, só sei que essa era minha função. só que eu vinha de dois dias de trabalho sem dormir e estava muito cansado, então estacionei o carro em frente de casa e fui dormir, enquanto tinha um assassino frio, cruel e destemido numa caixa de ferramentas no meu porta-malas. quando eu acordei - claro - o carro havia sido roubado. entrei em desespero e saí pela rua perguntando onde estava meu carro. ninguém sabia, eu estava fudido. fui até uma "boca" pra tentar encontrar os ladrões, mas nada. saí perguntando pra todo mundo, e aí veio o grande problema. o nome do assassino frio, cruel e destemido era Charlotte. sim, Charlotte. não, não era uma mulher, nem um travesti, era um cara, um assassino frio, cruel e destemido que se chamava Charlotte. talvez por isso ele tenha se tornado um assassino frio, cruel e destemido. se eu fosse homem e me chamasse Charlotte, eu não teria muitas opções. ou ia acabar em um Cabaret ou seria um assassino.
comecei a entrar em tudo quanto é "boca" perguntando:
-Preciso saber quem roubou meu carro, tem um assassino frio, cruel e destemido na caixa de ferramentas no porta-malas, e se eu não achar, a "gangue" dele vai me matar.
-Nossa, mas quem é esse assassino frio, cruel e destemido?
-É o Charlotte.
isso não colocava nenhum respeito, sabe. "você tá com medo de um cara chamado Charlotte?"
virei motivo de chacota entre os marginais da cidade e continuei minha busca pelo assassino frio, cruel e destemido.
acordei com o despertador. fiquei me perguntando que catzo do caralho do raio que o parta lá na casa do cacete dessa porra de cu do cavalo eu tive um sonho tão esquisito, de um assassino frio, cruel e destemido dentro da minha caixa de ferramentas dentro do meu porta-malas que - como se não bastasse - se chamava Charlotte.
foi aí que lembrei que meu apelido é Fofolete.
melhor tomar o café da manhã.
por via das dúvidas, dei uma conferida na caixa de ferramentas antes de ir para o trabalho. vazia. nada do Charlotte, estou seguro.
moral da história: não sei se tenho trabalhado ou bebido demais. na dúvida, melhor parar de trabalhar.
eu era eu (isso é importante nos sonhos), e no porta-malas do meu carro, por algum motivo, eu levava um assassino frio, cruel e destemido. ele estava dentro da minúscula caixa de ferramentas, mas estava inteiro e vivo. e eu tinha que levá-lo até a sua "goma", onde ele estaria seguro. acho que eu trabalhava pra ele, não sei, só sei que essa era minha função. só que eu vinha de dois dias de trabalho sem dormir e estava muito cansado, então estacionei o carro em frente de casa e fui dormir, enquanto tinha um assassino frio, cruel e destemido numa caixa de ferramentas no meu porta-malas. quando eu acordei - claro - o carro havia sido roubado. entrei em desespero e saí pela rua perguntando onde estava meu carro. ninguém sabia, eu estava fudido. fui até uma "boca" pra tentar encontrar os ladrões, mas nada. saí perguntando pra todo mundo, e aí veio o grande problema. o nome do assassino frio, cruel e destemido era Charlotte. sim, Charlotte. não, não era uma mulher, nem um travesti, era um cara, um assassino frio, cruel e destemido que se chamava Charlotte. talvez por isso ele tenha se tornado um assassino frio, cruel e destemido. se eu fosse homem e me chamasse Charlotte, eu não teria muitas opções. ou ia acabar em um Cabaret ou seria um assassino.
comecei a entrar em tudo quanto é "boca" perguntando:
-Preciso saber quem roubou meu carro, tem um assassino frio, cruel e destemido na caixa de ferramentas no porta-malas, e se eu não achar, a "gangue" dele vai me matar.
-Nossa, mas quem é esse assassino frio, cruel e destemido?
-É o Charlotte.
isso não colocava nenhum respeito, sabe. "você tá com medo de um cara chamado Charlotte?"
virei motivo de chacota entre os marginais da cidade e continuei minha busca pelo assassino frio, cruel e destemido.
acordei com o despertador. fiquei me perguntando que catzo do caralho do raio que o parta lá na casa do cacete dessa porra de cu do cavalo eu tive um sonho tão esquisito, de um assassino frio, cruel e destemido dentro da minha caixa de ferramentas dentro do meu porta-malas que - como se não bastasse - se chamava Charlotte.
foi aí que lembrei que meu apelido é Fofolete.
melhor tomar o café da manhã.
por via das dúvidas, dei uma conferida na caixa de ferramentas antes de ir para o trabalho. vazia. nada do Charlotte, estou seguro.
moral da história: não sei se tenho trabalhado ou bebido demais. na dúvida, melhor parar de trabalhar.
segunda-feira, 10 de março de 2008
minha ilha.
entre as torturas diárias, de acordar sem querer, de dentes que doem, de banhos tão frios,de calçadas tão sujas, de janelas fechadas, de pessoas estranhas, de carros parados, de todos os prazos, de todo o trabalho, de todo bom dia, de todo almoço, todas as filas, toda a comida, toda a gordura, todo o trabalho, sempre o trabalho, olha o prazo, olha o prazo, OLHA O PRAZO, todo o infarto, todo retorno, todo o sono, todos os sonos, todos insones, de volta pra casa, de volta pra casa.
entre as torturas diárias, te quero, minha ilha.
desabitada, habitável, escondida, abandonada.
deserta, suada, quente e gelada.
te quero, minha ilha.
te quero sem drama, te quero riso, flagrante delito, silêncio que fala, beijo que cala, última esperança.
te quero, minha ilha.
entre as torturas diárias, te quero, minha ilha.
desabitada, habitável, escondida, abandonada.
deserta, suada, quente e gelada.
te quero, minha ilha.
te quero sem drama, te quero riso, flagrante delito, silêncio que fala, beijo que cala, última esperança.
te quero, minha ilha.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
utilidades
coisas úteis que você pode encontrar na internet:
"Manual do Xavequeiro: Este livro vai prepará-lo para obter mais sucesso nas suas investidas de paquera. Afinal há sempre uma mulher maravilhosa na sua vida: aquelas eu você quer conhecer ou aquelas com as quais você vive sonhando e que podem aparecer a qualquer momento. Aqui estão reunidas dezenas de situações para possíveis aproximações e dicas inteligentes, bem-humoradas e agradáveis para você se dar bem na balada, na rua, nos shoppings e em muitos outros lugares. Manual do Xavequeiro: o melhor amigo do seu coração."
"Mude o canal de sua TV com uma Lanterna: Nada melhor que poder mudar de canal quando ninguem lhe passa o controle."
"Como Rasgar Lista Telefonica: Aprenda de maneira super simples como surpreender seus amigos rasgando uma lista telefonica com suas proprias mãos."
Simplesmente incrível.
Aposto que rasgar uma lista telefônica com as próprias mãos ou mudar o canal da TV com uma lanterna - quando ninguém lhe passa o controle - fazem parte das táticas do Manual do Xavequeiro. Imaginem como isso deve impressionar as garotas.
"Manual do Xavequeiro: Este livro vai prepará-lo para obter mais sucesso nas suas investidas de paquera. Afinal há sempre uma mulher maravilhosa na sua vida: aquelas eu você quer conhecer ou aquelas com as quais você vive sonhando e que podem aparecer a qualquer momento. Aqui estão reunidas dezenas de situações para possíveis aproximações e dicas inteligentes, bem-humoradas e agradáveis para você se dar bem na balada, na rua, nos shoppings e em muitos outros lugares. Manual do Xavequeiro: o melhor amigo do seu coração."
"Mude o canal de sua TV com uma Lanterna: Nada melhor que poder mudar de canal quando ninguem lhe passa o controle."
"Como Rasgar Lista Telefonica: Aprenda de maneira super simples como surpreender seus amigos rasgando uma lista telefonica com suas proprias mãos."
Simplesmente incrível.
Aposto que rasgar uma lista telefônica com as próprias mãos ou mudar o canal da TV com uma lanterna - quando ninguém lhe passa o controle - fazem parte das táticas do Manual do Xavequeiro. Imaginem como isso deve impressionar as garotas.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
ice age coming (lábios de iceberg, cerveja e radiohead).
///////////////////////////////////////////////////
estava calor, eu sofria com isso. nunca fui amante do calor, este sempre me traz um mal-estar, uma fadiga. a bebida e o calor me deixavam cada vez mais tonto. eu era carrossel, eu era vertigem, andava feito círculo que não se fecha e escorrega, zig-zag-bêbado-homem-cambalhota-em-queda-livre, caindo ao chão encontrar-me com a sujeira, com os restos de cerveja, deixando lá em cima minha dignidade, que flutuava feito balão de hélio.
o porre era raro, fazia tempo que não bebia. das baladas, só me restavam lembranças contorcidas e distorcidas, mas nunca ingratas; foram anos sem sair de casa, me afogando em trabalho insano, trancado no alto do castelo, longe dos súditos e dos servos, distante de todos, longe de mim não mil metros, mas mil toneladas, pois era preciso sair debaixo do peso que joguei sobre mim para alcançar algum resquício de dança e festa. mas agora eu voltara, tão triunfante em meu tapete voador que me estenderam um outro vermelho, para que eu caminhasse acenando aos fãs das minhas bêbadas palhaçadas, que aguardavam ansiosos o primeiro gole, o primeiro grito, a primeira dança e a primeira queda proposital, daquelas que só eu maestrava, com a genialidade de um palhaço em seu esplendor, fingindo tropeços e enrolar de pés, e caindo, afinal, feito bosta mole, elefante abatido, búfalo frouxo, cachorro manco, bigorna de dezesseis toneladas.
mas eu já não era o mesmo, os anos me afetaram. já não tinha a coragem de atirar-me das escadas, de jogar-me no chão. essa queda-homem-cambalhota que eu acabara de sofrer não fora proposital, e sim resultado da soma de três ou quatro tipos de bebidas, mínimo múltiplo comum da minha vergonha, denomindor da minha embriaguez; a ordem dos pés alterou o resultado.
e havia um detalhe: os amigos já não eram os de outra hora. não havia a mesma graça, os mesmos sorrisos, a mesma fraternidade, e os risos que ouvi foram os mais cretinos. fiquei ali, pensando se lambia ou não a cerveja do chão, esperando meus olhos em "looping" pararem de rodar.
vamos logo, diziam, vambora, tão esperando a gente, levanta, seu bêbado do caralho, porra, deixa ele aí, vai tomar no seu cu, levanta, porra, ah, vão todos se fuder, me deixem aqui, ah, levanta, porra, a gente tá indo, você não vai? tomar nos seus cus.
se afastaram, me deixando em silêncio.
e foi aí que senti a mão gelada no meu ombro. eu me perguntei se ela teria dona, tão delicada, mas tão delicada, que nem precisava ter dona, já se bastava em si; não precisava de olhos, de orelhas, de corpo, de bunda, só a mão - tão delicada - já se inciava e se encerrava, completa. e a mão ficou lá uns cinco segundos eternos, me dando uma sacudida, até que a mão falou.
-ô, meu, te sacanearam? quer ajuda pra levantar? cê tá bem?
uma voz fina, mas levemente rouca de balada, doce de maracujá que não enjoa.
-vai, levanta, eu te ajudo.
e a mão e a voz - que eu já acreditava serem duas entidades separadas, pois seria injusto duas coisas tão belas unir-se em uma existência só - me ajudaram a levantar. mas antes, foi preciso me virar, e vi os cabelos pretos e longos, os seios tão corretos no seu formato que dispensariam qualquer aula de geometria ou física por toda uma vida ginasial; a camiseta preta do Radiohead, a delicadeza fincada nos olhos densos, as pernas convidativas e tudo o que havia ali, flutuando.
-porra, cê tá mal, hein? vem, eu te ajudo a levantar.
eu me apoiei nela, senti seu braço gelado e seu ombro macio, sensações tão boas que me arrancariam fácil um "eu te amo", mas antes que eu explodisse em ridículo, todas as leis da física nos lembraram que um anjo não agüenta um demônio: as asas quebraram, as penas voaram, e ao invés d’eu levantar, ela tombou comigo.
caímos na gargalhada. inspirado por sua risada, tomei fôlego e levantei. logo em seguida a segurei pela mão (ah, a mão gelada...), e a puxei. ela limpou a bunda com tapas leves e eu me limpei todo, estava completamente sujo.
-vem cá - disse ela - tá sujo aqui.
e para me limpar deu tapas leves na minha bunda. quase gritei "MAIS FORTE, MAIS FORTE", mas me contive, embora tenha exigido um grau razoável de concentração para fazer meu sangue empurrar o álcool para algum lugar, a fim de não cometer um ato tão digno dos maiores bêbados.
-pô, brigado, tava foda...
-cê tá bêbado pra caralho, né, meu?
-ah, nem tanto, já fiquei pior.
-pior?
-é, precisaram chamar um engenheiro e um guindaste para me levantar.
risos.
-e aí? eu vi teus amigos indo embora.
-amigo de cu é rola, bando de filhos da puta (mais risos). e você, tá sozinha?
-ah, eu tô indo ali, ó.
ela aponta o mercado 24 horas na esquina. tem muita gente. me convida para ir junto, mas tenho certo receio do meu estado e muitas coisas passam pela minha cabeça em alguns segundos. melhor parar por aqui, vai dar merda depois. "ah, acho melhor eu ir embora", "ah, qué isso, vamo lá comer alguma coisa", e toca meu braço. a mão gelada me convence.
fomos. eu andando, ela flutuando.
chegando, ela me apresenta alguns amigos, eram cinco ou seis, uns três caras, umas duas meninas, não presto muita atenção. os amigos eram engraçados, embora idiotas, todos flertavam muito uns com os outros e comigo, era uma putaria do cacete, coisa que só gente bêbada faz, e isso tudo contribuiu para que a noite se alongasse para a casa de um deles. ficava cada vez mais fácil flertar com ela. minha desgraça ia se concretizando, aquilo ia dar em merda.
armados com mais cerveja que compramos no mercado, nos dividimos em dois carros: eu, ela e mais uma amiga fomos no meu, o resto, no carro de um deles.
liguei o som e coloquei um cd, Radiohead.
-puta merda, eu amo radiohead, disse ela.
-foooooooooda, disse a menina que veio conosco, que tinha o cabelo curto e verde de planta cheia de clorofila.
-põe foda nisso.
"everything in its right place" íamos cantando, entre outras, como "idioteque", todos bêbados, eu dirigindo devagar, e ainda assim só consegui dirigir porque havia comido algo no mercado e cortado um pouco do álcool, e eu ia muito devagar mesmo, não sei se pela bebedeira ou se para prolongar a viagem e ficar ouvindo radiohead com ela, com medo do nosso destino, who's in a bunker, who's in a bunker, woman and children first, womam and children first, woman and children...
chegamos. a cabelo verde sai pela porta de trás e antes que eu me movimentasse, aquelas mãos - ah, puta merda - tocaram minha coxa, me segurando para eu não sair do carro, AI, CARALHO, toca Radiohead, toca, ice age coming, ICE AGE COMING, let me hear both sides, let me hear both sides... e eu voltei, e seus lábios tocaram os meus, e as mãos não eram nada perto da boca, os lábios de iceberg, o gelo descendo pela minha garganta e percorrendo todo o meu corpo, me arrepiando inteiro, apaixonado-titanic, sabendo que aquilo ia dar em merda muito grande, e os lábios carnudos, mas não tanto, na medida certa, mas sempre gelados, e a língua dela na minha, this is really happening, this is really happening... todo o mal-estar do calor ia embora, eu só queria aqueles lábios gelados que tanto me aliviavam.
ficamos no carro um bom tempo, sem dizer uma palavra. em algum momento surgiu a questão do que deveríamos fazer: ficar no carro, subir para onde todos subiram, ir para algum "lugar", onde pudéssemos ficar mais "à vontade".
putaquepariu.
eu não sei, qualquer lugar, qualquer coisa, qualquer coisa, mas me dá seus lábios.
ela sugeriu nos juntarmos aos outros.
ao chegarmos, os outros ouviam uma merda qualquer dos anos 80, e eu mal os enxergava, estava embriagado da minha garota, o resto era só silhueta, fagulha, não era nada. ao que parecia, também estavam drogados, a de cabelo verde parecia estar pior, mas só assim mesmo pra ouvir aquela merda de música. sentamos no chão e eu perguntei se ela não preferia ir mesmo a outro lugar.
-onde?
-pra igreja, quero casar com você.
ela riu da minha piada ruim. não sei se isso era um bom ou mal sinal. só me restava beijá-la de novo, suprimindo o espaço para que ela não percebesse o quanto eu era um palerma.
continuamos os beijos e eu já tinha construído meu iglú, já conhecia os esquimós pelos nomes e já alimentava os ursos polares na mão. ela levantou e me levou para um quarto. eu sem saber o que fazer, ela me guiando. quando a porta ia se fechar, alguém gritou.
-PORRA! A CLARA!
ela correu para a sala. clara era o nome da cabelos verdes, a menina que parecia fazer fotossíntese. e foi grito para tudo quanto é lado, a clara vomitando, "ela vai morrer", não, não vai, "mas é overdose!" OVERDOSE DO QUÊ, PORRA? caralho, e a clara era a irmã mais nova da minha garota, eu nem sabia, nem se pareciam, e eu - me vendo obrigado a deixar tudo aquilo de lado - fiz o papel que me cabia entre aquele bando de paspalhos e esqueci a mão gelada, os lábios de iceberg - e também minha bebedeira - e prontamente me tornei o responsável, o adulto - que há pouco era o homem-cambalhota que lambia o chão da rua - e perguntei o que ela tinha bebido, comido, fumado, enfiado no rabo, cagado ou sei lá o quê, porque a menina não párava de vomitar, estava meio inconsciente, e era perigoso engasgar.
me vi, algum tempo depois, no hospital com minha garota no colo, esperando a estúpida da irmã de cabelos verdes tomar remédios ou sei lá o quê, porque havia misturado coisas que não devia, mas estava bem agora.
-putz, brigada, se não fosse você... o bando de maluco ia só ficar gritando… nossa, você que resolveu tudo, que desespero…
é, eu era o herói, e minha medalha repousava sobre meu colo, não havia mais clima para beijo, para o quarto, para o carro, para nada, mas ela repousava a cabeça tão doce no meu colo que eu poderia ficar ali séculos, e por mim poderiam vir todas as irmãs dela, uma a uma se desmanchando, para prolongar o colo e o carinho.
ela me contou da família, da vida, da irmã - "minha mãe não pode ver o estado dela, temos que esperar" - e enquanto contava, ainda com a cabeça no meu colo, suas mãos passeavam meu pescoço, seus carinhos corriam meu corpo, me gelando parte por parte, e assim que ela gelava um braço, ia para o outro, enquanto o anterior já derretia, mas logo ela voltava para congelá-lo de novo, e dançamos assim, sentados, refrescados, isolados de todo o mal que havia lá fora, em nosso novo castelo de gelo.
e ficamos horas e horas, e eu não queria pensar em mais nada, só em continuar passando meus dedos naqueles lábios de iceberg, torcendo para que a previsão do tempo fosse abaixo de zero, para que nada se derretesse em minhas mãos, rezando por uma nova era glacial.
ice age coming, ice age coming.
estava calor, eu sofria com isso. nunca fui amante do calor, este sempre me traz um mal-estar, uma fadiga. a bebida e o calor me deixavam cada vez mais tonto. eu era carrossel, eu era vertigem, andava feito círculo que não se fecha e escorrega, zig-zag-bêbado-homem-cambalhota-em-queda-livre, caindo ao chão encontrar-me com a sujeira, com os restos de cerveja, deixando lá em cima minha dignidade, que flutuava feito balão de hélio.
o porre era raro, fazia tempo que não bebia. das baladas, só me restavam lembranças contorcidas e distorcidas, mas nunca ingratas; foram anos sem sair de casa, me afogando em trabalho insano, trancado no alto do castelo, longe dos súditos e dos servos, distante de todos, longe de mim não mil metros, mas mil toneladas, pois era preciso sair debaixo do peso que joguei sobre mim para alcançar algum resquício de dança e festa. mas agora eu voltara, tão triunfante em meu tapete voador que me estenderam um outro vermelho, para que eu caminhasse acenando aos fãs das minhas bêbadas palhaçadas, que aguardavam ansiosos o primeiro gole, o primeiro grito, a primeira dança e a primeira queda proposital, daquelas que só eu maestrava, com a genialidade de um palhaço em seu esplendor, fingindo tropeços e enrolar de pés, e caindo, afinal, feito bosta mole, elefante abatido, búfalo frouxo, cachorro manco, bigorna de dezesseis toneladas.
mas eu já não era o mesmo, os anos me afetaram. já não tinha a coragem de atirar-me das escadas, de jogar-me no chão. essa queda-homem-cambalhota que eu acabara de sofrer não fora proposital, e sim resultado da soma de três ou quatro tipos de bebidas, mínimo múltiplo comum da minha vergonha, denomindor da minha embriaguez; a ordem dos pés alterou o resultado.
e havia um detalhe: os amigos já não eram os de outra hora. não havia a mesma graça, os mesmos sorrisos, a mesma fraternidade, e os risos que ouvi foram os mais cretinos. fiquei ali, pensando se lambia ou não a cerveja do chão, esperando meus olhos em "looping" pararem de rodar.
vamos logo, diziam, vambora, tão esperando a gente, levanta, seu bêbado do caralho, porra, deixa ele aí, vai tomar no seu cu, levanta, porra, ah, vão todos se fuder, me deixem aqui, ah, levanta, porra, a gente tá indo, você não vai? tomar nos seus cus.
se afastaram, me deixando em silêncio.
e foi aí que senti a mão gelada no meu ombro. eu me perguntei se ela teria dona, tão delicada, mas tão delicada, que nem precisava ter dona, já se bastava em si; não precisava de olhos, de orelhas, de corpo, de bunda, só a mão - tão delicada - já se inciava e se encerrava, completa. e a mão ficou lá uns cinco segundos eternos, me dando uma sacudida, até que a mão falou.
-ô, meu, te sacanearam? quer ajuda pra levantar? cê tá bem?
uma voz fina, mas levemente rouca de balada, doce de maracujá que não enjoa.
-vai, levanta, eu te ajudo.
e a mão e a voz - que eu já acreditava serem duas entidades separadas, pois seria injusto duas coisas tão belas unir-se em uma existência só - me ajudaram a levantar. mas antes, foi preciso me virar, e vi os cabelos pretos e longos, os seios tão corretos no seu formato que dispensariam qualquer aula de geometria ou física por toda uma vida ginasial; a camiseta preta do Radiohead, a delicadeza fincada nos olhos densos, as pernas convidativas e tudo o que havia ali, flutuando.
-porra, cê tá mal, hein? vem, eu te ajudo a levantar.
eu me apoiei nela, senti seu braço gelado e seu ombro macio, sensações tão boas que me arrancariam fácil um "eu te amo", mas antes que eu explodisse em ridículo, todas as leis da física nos lembraram que um anjo não agüenta um demônio: as asas quebraram, as penas voaram, e ao invés d’eu levantar, ela tombou comigo.
caímos na gargalhada. inspirado por sua risada, tomei fôlego e levantei. logo em seguida a segurei pela mão (ah, a mão gelada...), e a puxei. ela limpou a bunda com tapas leves e eu me limpei todo, estava completamente sujo.
-vem cá - disse ela - tá sujo aqui.
e para me limpar deu tapas leves na minha bunda. quase gritei "MAIS FORTE, MAIS FORTE", mas me contive, embora tenha exigido um grau razoável de concentração para fazer meu sangue empurrar o álcool para algum lugar, a fim de não cometer um ato tão digno dos maiores bêbados.
-pô, brigado, tava foda...
-cê tá bêbado pra caralho, né, meu?
-ah, nem tanto, já fiquei pior.
-pior?
-é, precisaram chamar um engenheiro e um guindaste para me levantar.
risos.
-e aí? eu vi teus amigos indo embora.
-amigo de cu é rola, bando de filhos da puta (mais risos). e você, tá sozinha?
-ah, eu tô indo ali, ó.
ela aponta o mercado 24 horas na esquina. tem muita gente. me convida para ir junto, mas tenho certo receio do meu estado e muitas coisas passam pela minha cabeça em alguns segundos. melhor parar por aqui, vai dar merda depois. "ah, acho melhor eu ir embora", "ah, qué isso, vamo lá comer alguma coisa", e toca meu braço. a mão gelada me convence.
fomos. eu andando, ela flutuando.
chegando, ela me apresenta alguns amigos, eram cinco ou seis, uns três caras, umas duas meninas, não presto muita atenção. os amigos eram engraçados, embora idiotas, todos flertavam muito uns com os outros e comigo, era uma putaria do cacete, coisa que só gente bêbada faz, e isso tudo contribuiu para que a noite se alongasse para a casa de um deles. ficava cada vez mais fácil flertar com ela. minha desgraça ia se concretizando, aquilo ia dar em merda.
armados com mais cerveja que compramos no mercado, nos dividimos em dois carros: eu, ela e mais uma amiga fomos no meu, o resto, no carro de um deles.
liguei o som e coloquei um cd, Radiohead.
-puta merda, eu amo radiohead, disse ela.
-foooooooooda, disse a menina que veio conosco, que tinha o cabelo curto e verde de planta cheia de clorofila.
-põe foda nisso.
"everything in its right place" íamos cantando, entre outras, como "idioteque", todos bêbados, eu dirigindo devagar, e ainda assim só consegui dirigir porque havia comido algo no mercado e cortado um pouco do álcool, e eu ia muito devagar mesmo, não sei se pela bebedeira ou se para prolongar a viagem e ficar ouvindo radiohead com ela, com medo do nosso destino, who's in a bunker, who's in a bunker, woman and children first, womam and children first, woman and children...
chegamos. a cabelo verde sai pela porta de trás e antes que eu me movimentasse, aquelas mãos - ah, puta merda - tocaram minha coxa, me segurando para eu não sair do carro, AI, CARALHO, toca Radiohead, toca, ice age coming, ICE AGE COMING, let me hear both sides, let me hear both sides... e eu voltei, e seus lábios tocaram os meus, e as mãos não eram nada perto da boca, os lábios de iceberg, o gelo descendo pela minha garganta e percorrendo todo o meu corpo, me arrepiando inteiro, apaixonado-titanic, sabendo que aquilo ia dar em merda muito grande, e os lábios carnudos, mas não tanto, na medida certa, mas sempre gelados, e a língua dela na minha, this is really happening, this is really happening... todo o mal-estar do calor ia embora, eu só queria aqueles lábios gelados que tanto me aliviavam.
ficamos no carro um bom tempo, sem dizer uma palavra. em algum momento surgiu a questão do que deveríamos fazer: ficar no carro, subir para onde todos subiram, ir para algum "lugar", onde pudéssemos ficar mais "à vontade".
putaquepariu.
eu não sei, qualquer lugar, qualquer coisa, qualquer coisa, mas me dá seus lábios.
ela sugeriu nos juntarmos aos outros.
ao chegarmos, os outros ouviam uma merda qualquer dos anos 80, e eu mal os enxergava, estava embriagado da minha garota, o resto era só silhueta, fagulha, não era nada. ao que parecia, também estavam drogados, a de cabelo verde parecia estar pior, mas só assim mesmo pra ouvir aquela merda de música. sentamos no chão e eu perguntei se ela não preferia ir mesmo a outro lugar.
-onde?
-pra igreja, quero casar com você.
ela riu da minha piada ruim. não sei se isso era um bom ou mal sinal. só me restava beijá-la de novo, suprimindo o espaço para que ela não percebesse o quanto eu era um palerma.
continuamos os beijos e eu já tinha construído meu iglú, já conhecia os esquimós pelos nomes e já alimentava os ursos polares na mão. ela levantou e me levou para um quarto. eu sem saber o que fazer, ela me guiando. quando a porta ia se fechar, alguém gritou.
-PORRA! A CLARA!
ela correu para a sala. clara era o nome da cabelos verdes, a menina que parecia fazer fotossíntese. e foi grito para tudo quanto é lado, a clara vomitando, "ela vai morrer", não, não vai, "mas é overdose!" OVERDOSE DO QUÊ, PORRA? caralho, e a clara era a irmã mais nova da minha garota, eu nem sabia, nem se pareciam, e eu - me vendo obrigado a deixar tudo aquilo de lado - fiz o papel que me cabia entre aquele bando de paspalhos e esqueci a mão gelada, os lábios de iceberg - e também minha bebedeira - e prontamente me tornei o responsável, o adulto - que há pouco era o homem-cambalhota que lambia o chão da rua - e perguntei o que ela tinha bebido, comido, fumado, enfiado no rabo, cagado ou sei lá o quê, porque a menina não párava de vomitar, estava meio inconsciente, e era perigoso engasgar.
me vi, algum tempo depois, no hospital com minha garota no colo, esperando a estúpida da irmã de cabelos verdes tomar remédios ou sei lá o quê, porque havia misturado coisas que não devia, mas estava bem agora.
-putz, brigada, se não fosse você... o bando de maluco ia só ficar gritando… nossa, você que resolveu tudo, que desespero…
é, eu era o herói, e minha medalha repousava sobre meu colo, não havia mais clima para beijo, para o quarto, para o carro, para nada, mas ela repousava a cabeça tão doce no meu colo que eu poderia ficar ali séculos, e por mim poderiam vir todas as irmãs dela, uma a uma se desmanchando, para prolongar o colo e o carinho.
ela me contou da família, da vida, da irmã - "minha mãe não pode ver o estado dela, temos que esperar" - e enquanto contava, ainda com a cabeça no meu colo, suas mãos passeavam meu pescoço, seus carinhos corriam meu corpo, me gelando parte por parte, e assim que ela gelava um braço, ia para o outro, enquanto o anterior já derretia, mas logo ela voltava para congelá-lo de novo, e dançamos assim, sentados, refrescados, isolados de todo o mal que havia lá fora, em nosso novo castelo de gelo.
e ficamos horas e horas, e eu não queria pensar em mais nada, só em continuar passando meus dedos naqueles lábios de iceberg, torcendo para que a previsão do tempo fosse abaixo de zero, para que nada se derretesse em minhas mãos, rezando por uma nova era glacial.
ice age coming, ice age coming.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
descriçao de um cidadão normal.
eu lia x-men.
wolverine.
isso mesmo.
faz tempo, aquela história, "eu comprei o primeiro gibi dos x-men, quando saiu". naquela época, as pessoas pensavam que "x-men" era o nome de um sanduíche em um bar gay.
é, pode ser que eu fosse nerd, não sei.
wolverine.
teve uma época que eu ficava olhando para a minha mão e fazendo força mental para a minha garra sair. eu realmente acreditava que podia acontecer.
"sai, garra".
"sai, garra".
eu tinha VINTE anos.
nunca saiu.
wolverine.
isso mesmo.
faz tempo, aquela história, "eu comprei o primeiro gibi dos x-men, quando saiu". naquela época, as pessoas pensavam que "x-men" era o nome de um sanduíche em um bar gay.
é, pode ser que eu fosse nerd, não sei.
wolverine.
teve uma época que eu ficava olhando para a minha mão e fazendo força mental para a minha garra sair. eu realmente acreditava que podia acontecer.
"sai, garra".
"sai, garra".
eu tinha VINTE anos.
nunca saiu.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
calcinha preta, cabelo colorido.
apesar do título, não se trata de um "post" erótico, embora a combinação seja boa.
eu tenho uma cara filha da puta de metaleiro - e até gosto de algumas bandas - mas meu gosto musical vai para outro lado, de coisas como radiohead ou chico buarque. mas sim, eu tenho cara de metaleiro, já fui apelidado de Danzig e por aí vai.
agora tudo quanto é banda de forró, com nomes como "Batom na Cueca", tem integrantes cabeludos, que se vestem só de preto, e que aos olhos mais leigos, são IGUAIS aos metaleiros.
faz um tempo eu estava no rio de janeiro a trabalho. comia em um rodízio, sossegado, e o garçon se aproximou e me encarou. "ih, pronto, mais um maluco". ele foi embora e voltou umas quatro vezes, sempre ali, quieto, me observando; eu de cabelos longos e pretos, regata, vestido todo de preto, um típico metaleiro. e ele me olhando, até que se aproximou e - tímido - perguntou se eu era o vocalista do Calcinha Preta.
*longa pausa*
calcinha preta?
(...)
mas que caralho é "calcinha preta", porra?
eu neguei o quanto pude, mas ele não acreditou. logo os outros garçons passaram a olhar a mesa.
quando eu era mais novo, meu visual era um desbunde. passei por todas as fases possíveis, tive cabelo verde, vermelho, roxo, azul e rosa; fui metaleiro, punk, degenerado, rasgado, fazia strip tease no meio da rua, me atirava com força em bancas de jornais, me atirava contra carros, etc. todo mundo me achava maluco, eu só encontrava mais alguém com cabelo colorido como o meu em raras ocasiões, em lugares específicos, pra onde fugiam os freaks. quando eu tinha 13 anos, fui proíbido de entrar no shopping iguatemi por causa da minha aparência, que segundo o segurança era de vândalo, "com todas aquelas roupas rasgadas". mas se eu estava com as roupas rasgadas, eu me parecia mesmo é com A VÍTIMA de um vândalo, e não com um.
com o tempo, com a MTV, a internet, a globo e sei lá o quê, agora é normal garotas TRABALHANDO nos shoppings com as roupas que eu usava quando fui proibido de entrar lá (ok, isso ficou meio estranho, das garotas usarem minhas roupas, mas enfim).
alguém já disse e não faço a puta idéia de quem foi, que "o underground de uma geração é o mainstream da próxima". faz todo sentido. só não descobri ainda qual é o underground de hoje.
a molecada "demo", ops, desculpe - emo - já começa cedo a enfiar piercing em tudo quanto é lugar do corpo e pintar o cabelo, e todas essas coisas esquisitas agora parecem tão normais, que a maior rebeldia que pode existir é vestir um terno e uma gravata.
fantástico.
ainda tenho cara de metaleiro, e o vocalista do Batom na Cueca se veste igual ao do Dimmu Borgir ou do Gorgoroth.
e vocalista do Calcinha Preta de cu é rola, seu garçom.
eu tenho uma cara filha da puta de metaleiro - e até gosto de algumas bandas - mas meu gosto musical vai para outro lado, de coisas como radiohead ou chico buarque. mas sim, eu tenho cara de metaleiro, já fui apelidado de Danzig e por aí vai.
agora tudo quanto é banda de forró, com nomes como "Batom na Cueca", tem integrantes cabeludos, que se vestem só de preto, e que aos olhos mais leigos, são IGUAIS aos metaleiros.
faz um tempo eu estava no rio de janeiro a trabalho. comia em um rodízio, sossegado, e o garçon se aproximou e me encarou. "ih, pronto, mais um maluco". ele foi embora e voltou umas quatro vezes, sempre ali, quieto, me observando; eu de cabelos longos e pretos, regata, vestido todo de preto, um típico metaleiro. e ele me olhando, até que se aproximou e - tímido - perguntou se eu era o vocalista do Calcinha Preta.
*longa pausa*
calcinha preta?
(...)
mas que caralho é "calcinha preta", porra?
eu neguei o quanto pude, mas ele não acreditou. logo os outros garçons passaram a olhar a mesa.
quando eu era mais novo, meu visual era um desbunde. passei por todas as fases possíveis, tive cabelo verde, vermelho, roxo, azul e rosa; fui metaleiro, punk, degenerado, rasgado, fazia strip tease no meio da rua, me atirava com força em bancas de jornais, me atirava contra carros, etc. todo mundo me achava maluco, eu só encontrava mais alguém com cabelo colorido como o meu em raras ocasiões, em lugares específicos, pra onde fugiam os freaks. quando eu tinha 13 anos, fui proíbido de entrar no shopping iguatemi por causa da minha aparência, que segundo o segurança era de vândalo, "com todas aquelas roupas rasgadas". mas se eu estava com as roupas rasgadas, eu me parecia mesmo é com A VÍTIMA de um vândalo, e não com um.
com o tempo, com a MTV, a internet, a globo e sei lá o quê, agora é normal garotas TRABALHANDO nos shoppings com as roupas que eu usava quando fui proibido de entrar lá (ok, isso ficou meio estranho, das garotas usarem minhas roupas, mas enfim).
alguém já disse e não faço a puta idéia de quem foi, que "o underground de uma geração é o mainstream da próxima". faz todo sentido. só não descobri ainda qual é o underground de hoje.
a molecada "demo", ops, desculpe - emo - já começa cedo a enfiar piercing em tudo quanto é lugar do corpo e pintar o cabelo, e todas essas coisas esquisitas agora parecem tão normais, que a maior rebeldia que pode existir é vestir um terno e uma gravata.
fantástico.
ainda tenho cara de metaleiro, e o vocalista do Batom na Cueca se veste igual ao do Dimmu Borgir ou do Gorgoroth.
e vocalista do Calcinha Preta de cu é rola, seu garçom.
domingo, 2 de dezembro de 2007
mantra.
notícia:
"Ex-BBB faz teste para viver Bruna Surfistinha no cinema".
como uma única frase pode resumir tão bem o que é a mediocridade?
deixa eu ver se entendi, que tá difícil.
BBB (big brother brasil) é o programa da globo (ah, a rede globo!) que dispensa comentários. e as semi-celebridades tortas modelo-atriz-manequim que o programa gera são piores que o próprio, e inundam revistas e programas de fofocas ou aquela "super festa badalada do momento", onde não entra ninguém com QI maior que uma fuínha e onde todos adoram dizer que acham qualquer acontecimento "super válido".
a bruna surfistinha era uma garota de programa que "escreveu" um livro, que foi baseado no BLOG dela. e o pior é que nisso tudo, quem mais se salva é a própria.
tudo bem, peraí, me perdi. preciso de fôlego.
por mais que eu tente explicar, a frase continua sendo incrível:
"Ex-BBB faz teste para viver Bruna Surfistinha no cinema".
vou ficar repetindo isso, como se fosse um mantra. ex-BBB faz teste para viver bruna surfistinha no cinema, ex-BBB faz teste para viver bruna surfistinha no cinema, ex-BBB faz teste para viver bruna surfistinha no cinema.
chuta que é macumba, rapá.
mas faz favor: chuta longe pra caralho.
"Ex-BBB faz teste para viver Bruna Surfistinha no cinema".
como uma única frase pode resumir tão bem o que é a mediocridade?
deixa eu ver se entendi, que tá difícil.
BBB (big brother brasil) é o programa da globo (ah, a rede globo!) que dispensa comentários. e as semi-celebridades tortas modelo-atriz-manequim que o programa gera são piores que o próprio, e inundam revistas e programas de fofocas ou aquela "super festa badalada do momento", onde não entra ninguém com QI maior que uma fuínha e onde todos adoram dizer que acham qualquer acontecimento "super válido".
a bruna surfistinha era uma garota de programa que "escreveu" um livro, que foi baseado no BLOG dela. e o pior é que nisso tudo, quem mais se salva é a própria.
tudo bem, peraí, me perdi. preciso de fôlego.
por mais que eu tente explicar, a frase continua sendo incrível:
"Ex-BBB faz teste para viver Bruna Surfistinha no cinema".
vou ficar repetindo isso, como se fosse um mantra. ex-BBB faz teste para viver bruna surfistinha no cinema, ex-BBB faz teste para viver bruna surfistinha no cinema, ex-BBB faz teste para viver bruna surfistinha no cinema.
chuta que é macumba, rapá.
mas faz favor: chuta longe pra caralho.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
sobre o natal.
todo mundo já deve estar de saco cheio daquele papo que esqueceram o espírito de natal, o aniversário de cristo, que é tudo inventado, comercial e o caralho a quatro. eu tô pouco me lixando pra isso tudo. eu só sei que colocaram uma porra de um cacete de uma luz filha da puta na decoração de natal da rua do meu escritório que fica piscando duas vezes por segundo bem na merda da minha janela faz dois dias e ainda tem mais uns trinta pela frente, e o catzo dessa luz tá me deixando completamente maluco piscando muito forte na minha cara, e por mim podem enfiar todo o natal no rabo de sei lá quem, desde que tirem essa porra de luz da putaqueopariu do cu de mãe deles do caralho a quatro do catzo da minha janela.
será que pode ser? hein?
será que pode ser? hein?
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
dente.
mexendo nas velharias para a mudança, encontrei algumas coisas mofadas, como essa:
meu corpo
toca nele e me adoece
tua língua, teu seio, tua pele de febre
deixa em mim tua doença quente
e me infecta com teu dente
e quando tiver acado,
me enterra.
meu corpo
toca nele e me adoece
tua língua, teu seio, tua pele de febre
deixa em mim tua doença quente
e me infecta com teu dente
e quando tiver acado,
me enterra.
domingo, 25 de novembro de 2007
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
poeira.
que poeira, putaqueopariu.
mudar de casa é sempre um terror, uma correria, um ato de violência para desorganizados como eu. como não vou chamar a granero e nem a lusitana (o mundo gira, a lusitana roda), fica mais difícil ainda.
arranjo um monte de caixas, dessas de papelão, fita adesiva e canetão. vem então a primeira tortura: descongelar a geladeria, limpá-la. tinha muita comida vencida, revelando que faz tempo que não como absolutamente NADA em casa.
desisto da geladeria e resolvo começar pela papelada. milhões de mini-papéis inúteis voam pelo quarto. no meio, sempre aparece aquele bilhete ou aquela foto que te faz parar e pensar fundo. aí você fica indeciso com o que fazer com aquilo e segue adiante, protelando a arrumação da papelada e indo para as roupas.
nos primeiros 3 minutos mexendo nas roupas, me deparo com aquelas que não me servem mais e olho para o relógio pensando se seria uma boa hora para ir para a academia: talvez freqüentá-la cinco vezes por dia ao invés de uma acelere o atual processo de "voltar à boa forma" pelo qual estou passando. mas deixa pra lá, não é hora de academia agora.
com minha auto-estima reduzida, desisto das roupas e passo para os livros. aí me lembro como estou burro agora e como deixei de ler e dou algumas folheadas em alguns, mas não entendo mais porra nenhuma de semântica ou semiótica (a visão do caolho?) ou do cacete que seja, decidindo ficar longe dos livros por enquanto.
ok, volto para geladeira? vou para os papéis? que merda eu faço? fico rodando dentro do apartamento, sem fazer porra nenhuma, por dias e dias, respirando pó de coisa velha, andando em círculos pela mudança feito robinson crusoé antes de encontrar sexta-feira, e assim vou protelando tudo.
aí vem a semana marcada para a mudança e preciso correr feito louco, engolindo tudo e digerindo mal, mas mudando, enfim, sempre mudando.
putaqueopariu, que poeira, meu.
mudar de casa é sempre um terror, uma correria, um ato de violência para desorganizados como eu. como não vou chamar a granero e nem a lusitana (o mundo gira, a lusitana roda), fica mais difícil ainda.
arranjo um monte de caixas, dessas de papelão, fita adesiva e canetão. vem então a primeira tortura: descongelar a geladeria, limpá-la. tinha muita comida vencida, revelando que faz tempo que não como absolutamente NADA em casa.
desisto da geladeria e resolvo começar pela papelada. milhões de mini-papéis inúteis voam pelo quarto. no meio, sempre aparece aquele bilhete ou aquela foto que te faz parar e pensar fundo. aí você fica indeciso com o que fazer com aquilo e segue adiante, protelando a arrumação da papelada e indo para as roupas.
nos primeiros 3 minutos mexendo nas roupas, me deparo com aquelas que não me servem mais e olho para o relógio pensando se seria uma boa hora para ir para a academia: talvez freqüentá-la cinco vezes por dia ao invés de uma acelere o atual processo de "voltar à boa forma" pelo qual estou passando. mas deixa pra lá, não é hora de academia agora.
com minha auto-estima reduzida, desisto das roupas e passo para os livros. aí me lembro como estou burro agora e como deixei de ler e dou algumas folheadas em alguns, mas não entendo mais porra nenhuma de semântica ou semiótica (a visão do caolho?) ou do cacete que seja, decidindo ficar longe dos livros por enquanto.
ok, volto para geladeira? vou para os papéis? que merda eu faço? fico rodando dentro do apartamento, sem fazer porra nenhuma, por dias e dias, respirando pó de coisa velha, andando em círculos pela mudança feito robinson crusoé antes de encontrar sexta-feira, e assim vou protelando tudo.
aí vem a semana marcada para a mudança e preciso correr feito louco, engolindo tudo e digerindo mal, mas mudando, enfim, sempre mudando.
putaqueopariu, que poeira, meu.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
game over.
puta sacanagem. ninguém me explicou esse negócio de pontos na carteira de motorista. eu pensava que quem somasse mais pontos ganhava, eu somei mais de cinqüenta e recebi uma carta, mas não era meu prêmio porra nenhuma, o cara dizia que eu tinha perdido o jogo, e fiquei sem entender nada, e que se eles me pegassem dirigindo iam me prender, e lá na cadeia o delegado seu doutor ia me dar uma surra de pica daquelas.
pô, não sabe brincar, então não brinca.
pô, não sabe brincar, então não brinca.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
quasímodo
acordo atrasado, muito atrasado, para uma reunião importante, muito importante. pulo da cama e começo a pegar o que preciso levar, enfiando tudo da maneira mais desorganizada possível em uma sacola de papel. meu último banho foi ontem de manhã, mas não dá tempo de tomar banho agora, vai sem banho mesmo. abro a geladeria, não tem quase nada, só um sushi estragado e um iogurte light vencido. saio sem café da manhã, correndo, a camisa ainda aberta.
no elevador, enquanto fecho os botões, entra uma senhora magra, muito magra, que me olha profundamente com cara de recriminação, não sei se pela indecência de estar fechando a camisa no elevador ou se pelos quilos a mais que ostento, o que torna a imagem ainda mais indecente, esteticamente falando, pois minha barriga de hommer simpson está majestosamente à mostra.
corro para o carro, que está amassado do lado do motorista. foi uma batida leve. fiquei com uma dor alguns dias, devo ter quebrado uma costela, mas depois passou e não fui ao médico. tá tudo certo. no máximo, fiquei um pouco tortinho, mas se você olhar bem de longe, nem nota que estou andando feito o corcunda de notredame. já o carro, olhando de trás, parece que a porta está aberta, mas só parece, não está.
o trajeto da minha casa ao trabalho dura cerca de 30 minutos, quando não pego trânsito. estou atrasado e dirijo feito louco, tentando as mais terríveis manobras para acelerar a viagem e me condenando por nunca ter assitido "velozes e furiosos", pois aposto que seria muito útil neste momento.
em menos de cinco minutos, o motorista do carro atrás do meu buzina e aponta a porta e dá outra buzinadinha. faço sinal de "tudo bem", afinal, não tem como explicar que a porta não está aberta, está apenas amassada e PARECE estar aberta, mas está muito bem travada.
mais dois minutos, outra buzinada. e outra. e outra. começo a me irritar com essas demonstrações de amor e me perguntar que catzo do cacete esses filhas da puta têm a ver com a porra da minha porta. como não tomei café da manhã, minha gastrite começa a atacar. outra buzinada. dessa vez, o cidadão insiste e faço o sinal de que está tudo bem, mas ele acha que não o entendi, ou teria tomado uma providência e fechado a porta. ele insiste. eu insisto no "tudo bem". ele passa do meu lado, se ESFORÇA para isso, vê que o carro está batido e mesmo assim insiste em buzinar novamente e avisar que a porra da porta está aberta, fazendo assim sua boa ação do dia. meu estômago manda uma feroz mensagem de que vou desmaiar, a gastrite está querendo ser promovida à úlcera, minha cabeça começa a doer, preciso comer alguma coisa para aliviar essa gastrite, a secretária liga para avisar que já é hora da reunião, mas o cliente ainda não chegou, "mas deve estar pra chegar", desligo, penso na batida do carro e no corcunda de notredame, o estômago dói, preciso comer, mas não dá tempo de parar em nenhum lugar, o farol fecha, mas ninguém diz "olá, como vai", aparece um menino de rua vendendo paçoquinha, quatro por um real, compro e devoro, a gastrite vai embora, o hommer simpson triunfa, imagino a senhora muito magra do elevador me olhando e condenando "seu gordo, você quebrou a dieta", e começo a me sentir mal, ela poderia ser minha vó e eu devorei quatro paçoquinhas por um real, eu sou o quasímodo, ela é a esmeralda, e o farol abre, avanço alguns quarteirões, o trânsito está piorando, o farol fecha, essa merda não anda, essa merda não anda, ouço buzinas, dois fihos da puta me buzinam na minha orelha por causa do caralho dessa porta do cacete, achando que eu sou algum tipo de retardado, abro o vidro e tento dizer que é porque está amassada, mas ele diz "não, a porta está aberta", "ESTÁ ABERTA", claro, ele sabe mais do que eu do meu carro e fica bravo quando eu tento, novamente, dizer que ela está assim mesmo porque está amassada, e antes que ele se vá, lá vem outro me buzinar na orelha - putaqueopariu - a gastrite tá voltando, "olha, o corcunda de notredame", a porta tá aberta, não, a porta tá amassada, a gastrite, o hommer simpson, a velha personal trainner, a reunião, o quasímodo, a porta tá aberta, meu senhor, catzo, putaqueopariu-essa-porra-tá-amassada-é-assim-mesmo, e deus seja louvado, cheguei ao escritório, estaciono de qualquer jeito, pedindo pra tomar outra multa para ser somada aos meus quase 50 pontos na carteira de motorista.
entro correndo, direto para o banheiro, as paçoquinhas me deram uma caganeira do caralho e no caminho a secretária me avisa que o cliente ligou e cancelou a reunião.
e assim começa mais um dia de trabalho.
no elevador, enquanto fecho os botões, entra uma senhora magra, muito magra, que me olha profundamente com cara de recriminação, não sei se pela indecência de estar fechando a camisa no elevador ou se pelos quilos a mais que ostento, o que torna a imagem ainda mais indecente, esteticamente falando, pois minha barriga de hommer simpson está majestosamente à mostra.
corro para o carro, que está amassado do lado do motorista. foi uma batida leve. fiquei com uma dor alguns dias, devo ter quebrado uma costela, mas depois passou e não fui ao médico. tá tudo certo. no máximo, fiquei um pouco tortinho, mas se você olhar bem de longe, nem nota que estou andando feito o corcunda de notredame. já o carro, olhando de trás, parece que a porta está aberta, mas só parece, não está.
o trajeto da minha casa ao trabalho dura cerca de 30 minutos, quando não pego trânsito. estou atrasado e dirijo feito louco, tentando as mais terríveis manobras para acelerar a viagem e me condenando por nunca ter assitido "velozes e furiosos", pois aposto que seria muito útil neste momento.
em menos de cinco minutos, o motorista do carro atrás do meu buzina e aponta a porta e dá outra buzinadinha. faço sinal de "tudo bem", afinal, não tem como explicar que a porta não está aberta, está apenas amassada e PARECE estar aberta, mas está muito bem travada.
mais dois minutos, outra buzinada. e outra. e outra. começo a me irritar com essas demonstrações de amor e me perguntar que catzo do cacete esses filhas da puta têm a ver com a porra da minha porta. como não tomei café da manhã, minha gastrite começa a atacar. outra buzinada. dessa vez, o cidadão insiste e faço o sinal de que está tudo bem, mas ele acha que não o entendi, ou teria tomado uma providência e fechado a porta. ele insiste. eu insisto no "tudo bem". ele passa do meu lado, se ESFORÇA para isso, vê que o carro está batido e mesmo assim insiste em buzinar novamente e avisar que a porra da porta está aberta, fazendo assim sua boa ação do dia. meu estômago manda uma feroz mensagem de que vou desmaiar, a gastrite está querendo ser promovida à úlcera, minha cabeça começa a doer, preciso comer alguma coisa para aliviar essa gastrite, a secretária liga para avisar que já é hora da reunião, mas o cliente ainda não chegou, "mas deve estar pra chegar", desligo, penso na batida do carro e no corcunda de notredame, o estômago dói, preciso comer, mas não dá tempo de parar em nenhum lugar, o farol fecha, mas ninguém diz "olá, como vai", aparece um menino de rua vendendo paçoquinha, quatro por um real, compro e devoro, a gastrite vai embora, o hommer simpson triunfa, imagino a senhora muito magra do elevador me olhando e condenando "seu gordo, você quebrou a dieta", e começo a me sentir mal, ela poderia ser minha vó e eu devorei quatro paçoquinhas por um real, eu sou o quasímodo, ela é a esmeralda, e o farol abre, avanço alguns quarteirões, o trânsito está piorando, o farol fecha, essa merda não anda, essa merda não anda, ouço buzinas, dois fihos da puta me buzinam na minha orelha por causa do caralho dessa porta do cacete, achando que eu sou algum tipo de retardado, abro o vidro e tento dizer que é porque está amassada, mas ele diz "não, a porta está aberta", "ESTÁ ABERTA", claro, ele sabe mais do que eu do meu carro e fica bravo quando eu tento, novamente, dizer que ela está assim mesmo porque está amassada, e antes que ele se vá, lá vem outro me buzinar na orelha - putaqueopariu - a gastrite tá voltando, "olha, o corcunda de notredame", a porta tá aberta, não, a porta tá amassada, a gastrite, o hommer simpson, a velha personal trainner, a reunião, o quasímodo, a porta tá aberta, meu senhor, catzo, putaqueopariu-essa-porra-tá-amassada-é-assim-mesmo, e deus seja louvado, cheguei ao escritório, estaciono de qualquer jeito, pedindo pra tomar outra multa para ser somada aos meus quase 50 pontos na carteira de motorista.
entro correndo, direto para o banheiro, as paçoquinhas me deram uma caganeira do caralho e no caminho a secretária me avisa que o cliente ligou e cancelou a reunião.
e assim começa mais um dia de trabalho.
domingo, 11 de novembro de 2007
falta de respeito.
sabe aquele barulhinho que as impressoras a tinta fazem quando você está imprimindo algo? algumas fazem mais barulho, outras, menos. se você manda imprimir uma foto, com bastante qualidade, a impressora demora bastante fazendo esse barulhinho, enquanto pinta a bagaça.
então.
a minha impressora, quando tá fazendo esse barulhinho - eu juro, mas eu juro mesmo - ela fica me dizendo:
né, tapado?
né, tapado?
né, tapado?
todo dia, fica lá, pintando mais uma capa de algum DVD de um vídeo que eu editei e repetindo:
né, tapado?
né, tapado?
né, tapado?
a tinta vai, a tinta volta.
né, tapado?
né, tapado?
é.
então.
a minha impressora, quando tá fazendo esse barulhinho - eu juro, mas eu juro mesmo - ela fica me dizendo:
né, tapado?
né, tapado?
né, tapado?
todo dia, fica lá, pintando mais uma capa de algum DVD de um vídeo que eu editei e repetindo:
né, tapado?
né, tapado?
né, tapado?
a tinta vai, a tinta volta.
né, tapado?
né, tapado?
é.
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